sábado, 24 de dezembro de 2011

ESSA TAL CRIATIVIDADE

Todas as vezes em que entrei em sala para dar aula de criação era surpreendida com os olhares mais curiosos por parte dos alunos. Muitos estavam animados com a disciplina, acreditando que o semestre seria..digamos...uma festa! Costumo dizer na parte introdutória que há a necessidade que compreendam que, quanto maior o número de referências melhor o processo criativo. Por esta razão eles devem assimilar que todas...vou repetir, TODAS as disciplinas do curso são importantes. Sempre exalto que, para se tornar um ser pensante e criativo deve-se estudar a sociedade em que vivemos e também as demais, afinal, alguns trabalhos podem cruzar fronteiras. Dou o exemplo da própria Rede Globo de televisão que procurou referências de outras emissoras fora do país. Bem, se você já torceu o nariz para o exemplo acima, devo alertá-lo de que o preconceito também é um dos fatores que tolhe a criatividade. Entendeu agora porque justamente utilizei o exemplo da Rede Globo? Foi meramente proposital, há uma espécie de "Liga dos Contra a Globo" - LCG, que apenas deveriam entender a proposta da emissora que a grosso modo é de cunho comercial. Fim. Não quer assistir não assista, simples assim. No decorrer da disciplina entre outras coisas, falamos sempre de cores, tipografia, harmonia visual, semiótica, objetivos da criação, processos criativos, tudo isso sempre com o cuidado para não interferir na disciplina dos demais colegas,aliás isso se chama ética, e ética é de EXTREMA importância. Salvo alguma proposta inusitada e talvez "alternativa", focada em um público bem mais específico. Após um apanhado de informações, debates, e exercícios lúdicos, que geralmente são feitos com muito entusiasmo por uns e por outros com o nariz mais torto do que a própria idade permite (outro sinal de bloqueio criativo) inicio o processo de análise de peças, vídeos, filmes  entre outros materiais. E  é justamente nesse momento que a grande maioria são mais críticos que chego a me lembrar do personagem do filme Ratatouille, o Anton Ego, o crítico gastronômico, sugestivo o nome do personagem não?  E é nesse momento que escuta-se um sem fim de; "esse é legal", "ah! esse mais ou menos". Isso é perfeitamente natural, afinal todos ainda estão em uma "zona de conforto", ou seja, não estão à prova. No momento em que eu peço um exercício o semblante deles muda completamente. É nesse momento em que se colocam na posição de "avaliados" e não de "avaliadores". Não deveria ser dessa maneira, eles podem perfeitamente compreender que outro ponto crucial da criação é também arriscar. Não há segredos para "ser criativo", alguns podem ter mais ou menos habilidades mas deve-se entender que; repertório, leitura, e deixar o preconceito de lado, são caminhos para uma boa criação.Para fechar este meu primeiro texto, será que ainda terei coragem de escrever mais? Bem..insiro um vídeo que teve como referência um elemento de criação específico, a morte. Sinistro não? Mas propício. Trata-se do Veloster da montadora Hyundai, a campanha utiliza-se da segurança do veículo que tem apenas 3 portas, sendo a porta traseira do lado do passageiro, com o intuito de prevenir acidentes. Pode até não ter ética, bom senso, mas uma boa ideia criativa, melhor do que colocar o carro na estrada ou nas ruas "desfilando" ou mostrando sua potência.

Nenhum comentário:

Postar um comentário