segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

IMAGEM NÃO É "NADA"... SABER ESCREVER E OUVIR É TUDO!

Cinema, tv, rádio, teatro...você consegue imaginar essas formas de expressão sem som? Exceto se for algo experimental. Somos muito ligados na imagem, mas o que seria da imagem sem um bom texto ou uma boa edição de som? Quantas vezes você não disse que determinado ator é bom, os efeitos visuais do filme são bons mas que o roteiro deixa a desejar? Imagine então um publicitário que recebe a proposta de fazer um spot. Ele tem apenas o recurso da criação do texto a locução e quando muito, algum efeito sonoro que ajude o ouvinte a identificar melhor a mensagem. Escrevendo isto me lembro da adolescência quando vi um disco de efeitos sonoros da BBC na casa de uma amigo. Lá tínhamos à disposição os efeitos de uma simples garoa até uma tempestade para ninguém botar defeito. Ficamos horas imaginando histórias e, claro algumas delas de terror com direito a correntes arrastando e portas rangindo, apesar do meu medo constante desse tipo de gênero. Mas só depois, quando comecei meu curso de teatro aprendi como era a "Era de Ouro do Rádio Brasileiro". Depois na faculdade o conhecimento aprimorou mais e praticamos no estúdio como era produzir comerciais e programas de rádio. Claro que as dificuldades sempre surgem, daí porque o tópico "imagem não é "nada"...saber escrever e ouvir é tudo!". Simplesmente porque no momento em que começamos a tentar transmitir uma ideia...temos que fazer o ouvinte entender do que se trata. Lendo o capítulo 1 do livro de Jim Aitchison - "A propaganda de rádio do século XXI", quando diz; "O rádio é o que separa os homens dos garotos" ele não tem o intuito de ofender, mas discutir a importância do texto. Esta frase é precisamente de Lionel Hunt, presidente e diretor da Lowe Hunt & Partners (Austrália). Devemos sim concordar, afinal é aí que talento, ideia e uma boa escrita podem dar resultado ou ser uma catástrofe. Você tem que observar a linguagem, o tempo, quem será o locutor, qual o mote da peça...e mais um apanhado de técnicas que farão a diferença. Achou difícil? Então tente fazer um comercial de tintas onde você venderá a variedade de cores. 

Em sala de aula é comum ver alunos dizendo que o rádio é coisa do passado. E também é mais comum eles me ouvirem dizer: "Já assistiu o filme O Exterminador do Futuro?...então se um dia estivermos no apocalipse talvez você se lembre de mim, porque sua única forma de comunicação será o rádio, porque é teoricamente o mais simples para transmissão de informação". Claro que trata-se de uma piada, mas me lembro da noite que houve um blecaute em São Paulo e eu estava ministrando uma disciplina que era extremamente imagética, Semiótica e...cadê a luz? Como ninguém sabia o que realmente tinha ocorrido a maioria usou o recurso do celular para se comunicar, mas as notícias chegavam para muitos através do rádio, inclusive o do carro. Foi assim que as pessoas começaram a entender do que se tratava aquela escuridão. Então vamos deixar claro que nenhuma mídia hoje trabalha só. Na publicidade costumamos dizer que a rádio é uma mídia de apoio, ou seja, ela pode direcioná-lo para o site ou para a tv dependendo da campanha. Além de ser bem mais viável para os anunciantes que não tem as cifras disponíveis para o horário nobre da tv. A rádio é sua companheira no trânsito...é o jornalista que informa sua "possível rota alternativa". Então está combinado que a rádio está aí como mais uma mídia? Ok!

Todo o profissional de comunicação deve saber também que sua voz pode não ser espetacular, mas especialmente a maneira como você se comunica, a ênfase que dá nas palavras utilizadas é que são na verdade o tempero de tudo. Eu costumo recomendar para meus alunos o livro; "Produção de Rádio - Um manual Prático" de Magaly Prado. Sempre o utilizo quando ministro essa disciplina. Lá você pode encontrar os mais variados tipos de programas, produção, formatos de programas e outras informações preciosas sobre o veículo.

Muitos não sabem que os programas de tv tiveram origem na rádio. Também não sabem que muitos atores de tv,teatro e cinema passaram pela rádio. E nem sequer imaginam o furor das moças para descobrir as mais belas vozes. Quanta imaginação! Ops! Falando em imaginação lembrei de um caso verídico que uma moça ligou para a emissora e perguntou se eles colocavam mesmo os cavalos correndo em volta do microfone para que o público soubesse que os personagens da novela, sim havia novela no rádio, saíram para cavalgar. As rádios tinham o departamento de sonoplastia e lá "fabricavam" manualmente todos os efeitos para incrementar a trama. 

A rádio, apesar da high tech atual tem sua magia e sua função. Se duvidar procure pesquisar sobre esse veículo que encanta a todos que sabem dar o devido valor a um bom texto,uma boa voz e uma boa ideia!


Decidi não colocar um vídeo sobre a história do rádio. O motivo é simples, motivar a pesquisa. No You tube você encontrará vários deles. 

sábado, 24 de dezembro de 2011

ESSA TAL CRIATIVIDADE

Todas as vezes em que entrei em sala para dar aula de criação era surpreendida com os olhares mais curiosos por parte dos alunos. Muitos estavam animados com a disciplina, acreditando que o semestre seria..digamos...uma festa! Costumo dizer na parte introdutória que há a necessidade que compreendam que, quanto maior o número de referências melhor o processo criativo. Por esta razão eles devem assimilar que todas...vou repetir, TODAS as disciplinas do curso são importantes. Sempre exalto que, para se tornar um ser pensante e criativo deve-se estudar a sociedade em que vivemos e também as demais, afinal, alguns trabalhos podem cruzar fronteiras. Dou o exemplo da própria Rede Globo de televisão que procurou referências de outras emissoras fora do país. Bem, se você já torceu o nariz para o exemplo acima, devo alertá-lo de que o preconceito também é um dos fatores que tolhe a criatividade. Entendeu agora porque justamente utilizei o exemplo da Rede Globo? Foi meramente proposital, há uma espécie de "Liga dos Contra a Globo" - LCG, que apenas deveriam entender a proposta da emissora que a grosso modo é de cunho comercial. Fim. Não quer assistir não assista, simples assim. No decorrer da disciplina entre outras coisas, falamos sempre de cores, tipografia, harmonia visual, semiótica, objetivos da criação, processos criativos, tudo isso sempre com o cuidado para não interferir na disciplina dos demais colegas,aliás isso se chama ética, e ética é de EXTREMA importância. Salvo alguma proposta inusitada e talvez "alternativa", focada em um público bem mais específico. Após um apanhado de informações, debates, e exercícios lúdicos, que geralmente são feitos com muito entusiasmo por uns e por outros com o nariz mais torto do que a própria idade permite (outro sinal de bloqueio criativo) inicio o processo de análise de peças, vídeos, filmes  entre outros materiais. E  é justamente nesse momento que a grande maioria são mais críticos que chego a me lembrar do personagem do filme Ratatouille, o Anton Ego, o crítico gastronômico, sugestivo o nome do personagem não?  E é nesse momento que escuta-se um sem fim de; "esse é legal", "ah! esse mais ou menos". Isso é perfeitamente natural, afinal todos ainda estão em uma "zona de conforto", ou seja, não estão à prova. No momento em que eu peço um exercício o semblante deles muda completamente. É nesse momento em que se colocam na posição de "avaliados" e não de "avaliadores". Não deveria ser dessa maneira, eles podem perfeitamente compreender que outro ponto crucial da criação é também arriscar. Não há segredos para "ser criativo", alguns podem ter mais ou menos habilidades mas deve-se entender que; repertório, leitura, e deixar o preconceito de lado, são caminhos para uma boa criação.Para fechar este meu primeiro texto, será que ainda terei coragem de escrever mais? Bem..insiro um vídeo que teve como referência um elemento de criação específico, a morte. Sinistro não? Mas propício. Trata-se do Veloster da montadora Hyundai, a campanha utiliza-se da segurança do veículo que tem apenas 3 portas, sendo a porta traseira do lado do passageiro, com o intuito de prevenir acidentes. Pode até não ter ética, bom senso, mas uma boa ideia criativa, melhor do que colocar o carro na estrada ou nas ruas "desfilando" ou mostrando sua potência.